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Joel Sant’Anna: Goiás entrou no radar mundial das terras raras graças às ações de Caiado e Daniel

Em entrevista, o secretário de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás, Joel de Sant’Anna Braga Filho, fez um balanço da política econômica do estado e afirmou que Goiás só passou a ocupar posição de destaque no debate internacional sobre terras raras porque o governo estadual apostou no tema com antecedência.
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Joel Sant'Anna destacou as potencialidades de Goiás nos últimos anos em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Rahissa Peles/Jornal Opção

Para ele, os investimentos conduzidos nas gestões de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela foram decisivos para atrair parceiros estrangeiros, ampliar a pesquisa científica e preparar o estado para avançar em etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva.

Terras raras, acordos internacionais e impacto para Goiás

Ao comentar o anúncio de restrições da China à exportação de itens para empresas dos Estados Unidos, entre elas a USA Rare Earth, Joel avaliou que o episódio não altera o cenário goiano. Segundo ele, o movimento faz parte de uma disputa geopolítica mais ampla, na qual Goiás já passou a ter papel relevante por causa da Serra Verde, empresa que atua no estado.

O secretário lembrou que, após a ida de Caiado aos Estados Unidos e as articulações conduzidas por Daniel Vilela, o governo de Goiás firmou um acordo com a empresa e avançou em tratativas com autoridades americanas. De acordo com ele, os Estados Unidos já aportaram US$ 565 milhões para a segunda fase do projeto, que prevê o processamento do material em território americano.

Joel também disse que Goiás firmou memorandos de entendimento com o Japão, reforçando uma estratégia de diversificação de parceiros. Na avaliação dele, o objetivo é evitar dependência excessiva da China e garantir que o estado tenha retorno econômico, tecnológico e social.

Para o secretário, o mais importante é que Goiás deixe de exportar apenas matéria-prima e consiga agregar valor à produção, com mais empregos, mais renda e maior participação da indústria local nas etapas seguintes da cadeia.

Pesquisa, tecnologia e agregação de valor

Joel afirmou que o estado já trabalha para ampliar a base científica e tecnológica ligada à mineração. Entre as iniciativas citadas está a parceria com a Embrapa e com a UFG, em Aparecida de Goiânia, para criação de um Laboratório de Ciências Minerais dentro da Faculdade de Ciências e Tecnologia.

Segundo ele, a proposta é estruturar um polo de conhecimento que dê suporte não só às terras raras, mas também a outros minerais estratégicos presentes em Goiás, como nióbio, ouro, níquel e bauxita.

O secretário explicou que a experiência com os chamados remineralizadores foi importante para mudar a percepção sobre a atividade mineral. Em uma visita ao Chile, ele e a secretária Andrea Vulcanis observaram o processo de tratamento do carbonato e concluíram que a mineração poderia conviver com menor impacto ambiental e até gerar ganhos ao solo após a extração.

Com base nessa experiência, Goiás foi escolhido pelo governo federal e pela Embrapa para ser um dos centros nacionais do programa de remineralizadores. Joel afirmou que os resíduos da mineração podem virar insumos agrícolas e ajudar a elevar a produtividade de culturas como soja e cana-de-açúcar.

Na visão dele, a criação de uma estrutura científica própria é essencial para que, no futuro, o estado tenha condições de avançar além da exportação do carbonato e passe a produzir etapas de maior valor agregado, como ligas metálicas.

CEIA, data centers e infraestrutura energética

Além da mineração, Joel destacou outras frentes estratégicas da gestão estadual. Uma delas é o investimento de R$ 78 milhões no CEIA, o Centro de Excelência em Inteligência Artificial, que, segundo ele, fortalece a capacidade de Goiás de atrair data centers e empresas intensivas em tecnologia.

Ele observou que a chegada desses empreendimentos aumenta a demanda por energia e, por isso, exige novos investimentos em geração, armazenamento e distribuição. Na avaliação do secretário, Goiás já produz mais energia do que consegue distribuir, o que torna necessária a expansão da rede elétrica para atender indústrias e novos projetos.

Para Joel, mineração, inteligência artificial, data centers, energia e parcerias internacionais fazem parte de uma mesma estratégia de desenvolvimento, voltada à inovação, à geração de empregos e ao fortalecimento da infraestrutura tecnológica do estado.

InvestGO e foco na Ásia

Joel também comentou o andamento do InvestGO, nova agência estadual de atração de investimentos e negócios. Ele disse que o projeto acabou de avançar na Alego e que a prioridade, neste momento, é estruturar a agência para torná-la operacional e financeiramente viável.

Segundo ele, a definição das áreas estratégicas precisa vir antes da abertura de escritórios no exterior. O foco inicial deve ser a Ásia, destino de cerca de 66% das exportações goianas. Nesse grupo, estão mercados como China, Índia e países da ASEAN, considerados prioritários para produtos do agronegócio e da mineração.

Joel explicou que a Índia também está no radar de Goiás, especialmente na área de tecnologia, embora a relação comercial com o país deva ser distinta da estabelecida com os demais mercados asiáticos. A ideia, segundo ele, é abrir presença internacional de forma planejada, sem dispersar esforços.

Emprego, indústria e expansão econômica

Ao comentar o último resultado do Caged, que apontou saldo negativo de quase 3 mil vagas formais em maio, o secretário classificou o movimento como sazonal. Para ele, o primeiro semestre costuma oscilar, especialmente com a proximidade das férias e a desaceleração natural de algumas atividades.

Joel lembrou que o acumulado do ano continua positivo e que Goiás vinha mantendo uma sequência de geração de empregos acima da média. Também citou que o estado encerrou o ano anterior com cerca de 45 mil novos postos e que, neste ano, o saldo já gira em torno de 46 mil vagas.

Na avaliação dele, a indústria goiana segue aquecida. O secretário mencionou a expansão da John Deere em Catalão, os investimentos da Shopee em Hidrolândia, o avanço da logística próxima ao aeroporto e a chegada de novos empreendimentos em Anápolis e outras regiões.

Ele destacou ainda a falta de galpões industriais em Goiás e a regularização de escrituras de áreas industriais como medidas fundamentais para destravar novos aportes. Segundo Joel, cerca de R$ 2 bilhões em terrenos estão sendo escriturados em nome de empresas, o que dará mais segurança jurídica para novas linhas de financiamento.

Disputa política de 2026

Na parte política da entrevista, Joel defendeu a unidade da base aliada nas eleições de 2026 e disse que a pulverização de candidaturas ao Senado pode beneficiar o campo adversário. Ele mencionou o recuo de Alexandre Baldy, seu irmão, que passou a compor a chapa de Gracinha Caiado como suplente, como parte de uma estratégia de reorganização da base.

Joel voltou a elogiar Daniel Vilela, a quem vê como nome preparado para dar continuidade ao ciclo de crescimento iniciado na gestão Caiado. Para ele, o vice-governador combina juventude, experiência administrativa e formação política suficiente para manter Goiás entre os estados mais competitivos do país.

Na visão do secretário, o cenário atual mostra que Goiás entrou em uma nova fase: mais industrialização, mais tecnologia, mais presença internacional e mais disputa por projetos de futuro.

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