Projeto Energia Feminina oferece investimento de R$ 2,5 mil e acompanhamento especializado para fortalecer a autonomia financeira das participantes.
Quase 80% das microempreendedoras individuais de Goiás não têm uma situação financeira confortável, segundo levantamento do Sebrae. É nesse cenário que 52 mulheres selecionadas para a segunda etapa do projeto Energia Feminina em Goiás deram início às atividades de desenvolvimento de seus planos de negócio, em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Divididas em três turmas, as participantes receberam orientações práticas sobre investimentos e definição de atividades, resultados e metas para cada negócio.
O projeto Energia Feminina é uma iniciativa do Instituto Equatorial em parceria com o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS), com o objetivo de capacitar para o empreendedorismo mulheres em situação de vulnerabilidade social, promovendo autonomia financeira e inclusão produtiva. Essa é a primeira edição do programa em Goiás.
Nesta etapa do projeto, chamada fase de incubação, cada empreendedora recebe um aporte inicial de R$ 2,5 mil. O pagamento é dividido em duas parcelas: a primeira este mês e a segunda ao final do projeto, que culminará em uma Feira de Negócios onde serão apresentados os produtos e serviços desenvolvidos. A professora e empreendedora Liana Araújo aplicou na última quinta-feira (26) atividades práticas para que as mulheres definissem metas de crescimento e estratégias inteligentes de execução do plano. “O investimento certo é aquele que vai impulsionar seu negócio e fazê-lo crescer”, explicou Liana.
Ao longo dos próximos três meses, as mulheres ainda vão participar semanalmente de outras atividades práticas, como workshops de negócio e rodas de conversa. As próximas oficinas, que serão realizadas na próxima quinta (2) e sexta-feira (3), vão focar em marketing e vendas.
Evolução e Superação
O impacto do projeto é visível na trajetória de participantes como Tayná Cristina da Silva, de 43 anos. Mãe solo de quatro filhas, Tainá começou a empreender há nove anos com a venda de bolos e salgados para sustentar a família enquanto cuidava da mãe acamada. Há cerca de dois meses, ela expandiu sua atuação para uma lanchonete em sociedade com o irmão. Para ela, o Energia Feminina trouxe a estabilidade que faltava. “Antes eu não conseguia fazer minhas finanças fluírem. No curso, aprendi a separar o dinheiro de casa do dinheiro da lanchonete e a criar uma reserva para necessidades”, disse Tayná.
Outro exemplo de resiliência é Josivane Lopes Ramos, 48 anos, que atua no ramo de papelaria personalizada criativa. Professora de química por formação, ela encontrou no empreendedorismo a flexibilidade necessária para conciliar o tratamento de uma doença autoimune rara e os cuidados com a filha mais nova, de oito anos. Josivane descreve o projeto como uma "virada de chave". “O Energia Feminina trouxe solidez e um norte pra mim. É muito bom ter quem lhe dê a mão e diga por onde seguir em vez de ficar nadando no escuro”, declara.
A coordenadora de projetos sociais do CIEDS em Goiás, Cleusa Mascarenhas, destaca que o amadurecimento das participantes é nítido, principalmente na área de comunicação e no uso de ferramentas digitais. “Muitas chegaram com vergonha, mas houve uma construção para que se reconhecessem como empreendedoras. O empoderamento desse papel faz toda a diferença”, afirma.
Perfil das Empreendedoras em Goiás
A realidade das participantes do projeto dialoga com o perfil de milhares de empreendedoras de Goiás e do Brasil. Segundo o Sebrae Goiás, o estado soma 374 mil mulheres empreendedoras, que representam 12% da população feminina em idade ativa. O perfil aponta ainda que 53% se autodeclaram negras e a mesma proporção é a principal responsável pelo domicílio. Além disso, 38% trabalham no próprio domicílio, enfrentando a sobreposição de tarefas domésticas e profissionais.
A sustentabilidade financeira permanece como um desafio central para essas mulheres. O levantamento do Sebrae mostra que 78% das microempreendedoras individuais (MEI) em Goiás não possuem uma situação financeira confortável. A pesquisa revela que 32% delas ainda não conseguem pagar todas as despesas do negócio e 46% enfrentam dificuldades frequentes para manter as contas em dia. Apenas 18% apresentam uma situação estável e lucrativa.
Apesar dessas dificuldades, o negócio é vital para a economia doméstica, sendo a principal fonte de renda de 76% das famílias dessas empreendedoras. Entre os maiores obstáculos citados para a expansão dos negócios, 39% das mulheres apontam a dificuldade em obter recursos financeiros ou crédito.
A executiva de responsabilidade social do Instituto Equatorial, Janaína Ali, destaca que nesse contexto a busca pela autonomia financeira é essencial para que mulheres em situação de vulnerabilidade possam transformar suas realidades e as de suas famílias. “Por meio do programa Energia Feminina, buscamos não apenas oferecer capacitação e recurso financeiro, mas fornecer um suporte prático para que elas saiam da informalidade e escalem seus negócios. Nosso objetivo é que, ao final desta jornada, essas empreendedoras possuam as ferramentas de gestão e a confiança necessárias para gerarem sua própria renda de forma sustentável, conquistando a independência e o protagonismo em suas trajetórias”, declara Janaína.
Sobre o Instituto Equatorial
O Instituto Equatorial é a estratégia social do Grupo Equatorial, focado em promover o desenvolvimento social por meio de projetos de educação, geração de renda e fortalecimento de comunidades nos estados onde o grupo atua.
Sobre a Equatorial Goiás
Integrante do Grupo Equatorial, a companhia atende cerca de 3,8 milhões de unidades consumidoras em 237 municípios de Goiás, cobrindo 98,7% do território estadual. O Grupo Equatorial é o 3º maior em distribuição de energia do país.

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