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Grupos para conversação em idiomas movimentam bares e restaurantes

 

Clubes ocupam espaços em estabelecimentos de alimentação fora do lar e aproximam casas de novos públicos, com possibilidades de consumo e retorno 

 

Clubes de idiomas utilizam bares e espaços culturais para promover encontros de conversação e socialização. | Foto: Divulgação Mundo Lingo

 

Praticar um idioma pode ser também uma forma de conhecer pessoas, ocupar a cidade e descobrir novos bares e restaurantes. Encontros de conversação em inglês, espanhol, francês e outras línguas vêm ocupando espaços de estabelecimentos de diferentes perfis e criando ocasiões de consumo que combinam convivência, entretenimento e socialização. 

Em São Paulo/SP, o Clube Poliglota Sampa mantém encontros há mais de dez anos e utiliza diferentes locais para reunir os participantes. Em Brasília/DF, o Black Sheep Breja Studio recebe, às quintas-feiras, os encontros do Mundo Lingo. Segundo o proprietário do estabelecimento, a iniciativa já se tornou uma fonte de novos clientes e de retorno para a casa. 

A dinâmica varia de acordo com o grupo e o estabelecimento. No Clube Poliglota Sampa, não há cobrança de inscrição nem necessidade de confirmação prévia. Os participantes chegam ao local e são direcionados para mesas de acordo com o idioma que desejam praticar. Inglês, espanhol e francês estão entre as línguas mais procuradas, enquanto italiano e alemão aparecem em ocasiões específicas. 

 

Bar também vira ponto de encontro 

Luiz Henrique Holanda, representante do Clube Poliglota Sampa em São Paulo, explica que a organização busca criar um ambiente em que os participantes possam conversar de maneira espontânea. 

A organização dos grupos não depende de uma estrutura fixa. Aos domingos, por exemplo, bandeiras indicam o idioma de cada mesa. Quem deseja praticar outra língua pode mudar de grupo durante o encontro. 

Aos sábados, Holanda atua como intermediador e procura organizar os participantes por idioma e, quando possível, pelo nível de conhecimento. 

Atualmente, os encontros próprios do grupo acontecem em diferentes dias e locais da capital paulista. Aos sábados, o grupo se reúne no Centro Cultural São Paulo, com média de 20 a 30 participantes. 

Aos domingos, o encontro acontece no Violeta Bar e chega a reunir cerca de 50 pessoas. Às terças-feiras, o Sampa Bar, em Moema, recebe um grupo. Já às quintas-feiras, os participantes se encontram no Sesc Belém, na Zona Leste da cidade. 

A relação com os estabelecimentos surgiu de maneiras diferentes. No Violeta Bar, por exemplo, o grupo frequentava anteriormente uma unidade do Starbucks que fechava mais cedo. Depois dos encontros, parte dos participantes migrava para o bar vizinho. Com o tempo, o proprietário cedeu o segundo andar para as reuniões. 

No modelo do Clube Poliglota Sampa, porém, não existe uma parceria comercial baseada no consumo. “Eu sempre deixo claro para o dono do bar que eu posso prometer fluxo, mas não posso prometer consumo”, explica Holanda. 

 

Atividade cria oportunidade de consumo 

Em Brasília, a experiência do Black Sheep Breja Studio mostra outro modelo de parceria. O estabelecimento recebe o Mundo Lingo, evento que integra uma estrutura internacional. 

O encontro ocorre todas as quintas-feiras e tem organização própria, com um gestor local responsável pela produção. Para Matos, a atividade se encaixa no perfil cultural do estabelecimento, que também recebe apresentações musicais, stand-up comedy, filmes e outras iniciativas. 

Segundo o proprietário, os encontros aumentaram o movimento da casa. O público também apresenta características diferentes das observadas em outros dias, com presença maior de pessoas mais jovens. 

A partir desse perfil, o estabelecimento passou a combinar o encontro com outras ações para ampliar o tempo de permanência e estimular o consumo. Uma das estratégias é o happy hour, com promoção durante um período específico. Outra é o karaokê multilíngue, que permite aos participantes cantarem em diferentes idiomas. 

“O perfil desse público é um pouco diferente do nosso perfil tradicional. A nossa faixa etária habitual é um pouco mais alta, e esse público mais jovem dos encontros tem um comportamento de consumo diferente, então precisamos de estratégias para manter esse consumo”, afirma Matos. 

A experiência mostra como uma atividade pode cumprir uma função que vai além de ocupar uma data específica da semana. Ao criar um motivo adicional para a visita, o evento também permite que o estabelecimento apresente seu ambiente, cardápio e proposta a pessoas que talvez ainda não conhecessem a casa. 

 

Retorno pode transformar público em cliente 

Além de atrair consumidores para uma atividade específica, os encontros também podem contribuir para uma relação mais duradoura com o estabelecimento. 

No Black Sheep, Matos estima que aproximadamente uma em cada três pessoas que participam dos encontros retorna posteriormente ao local. “A taxa hoje está em torno de 30% de retorno”, afirma. 

Para o empresário, esse comportamento reforça o potencial do evento como ferramenta de divulgação. O participante conhece o espaço por causa da atividade de conversação e pode voltar em outra ocasião, inclusive acompanhado de outras pessoas. 

A estratégia acompanha um movimento de bares e restaurantes que buscam criar motivos de visita que vão além da alimentação e das bebidas. Aulas, música, cinema, jogos, encontros culturais e atividades de interesse específico ajudam a transformar os estabelecimentos em espaços de convivência. 

No caso dos encontros de idiomas, a combinação entre aprendizado informal e socialização cria uma experiência que ultrapassa a própria atividade. Para o consumidor, o bar passa a fazer parte do encontro. Para os estabelecimentos, o formato pode ajudar a ocupar dias e horários específicos, alcançar novos públicos e criar oportunidades de retorno. 

A iniciativa também mostra que a relação entre bares, restaurantes e atividades culturais pode assumir diferentes formatos. Em alguns casos, o estabelecimento apenas recebe o grupo; em outros, participa da construção da experiência e cria ações complementares para estimular a permanência e o consumo. Em ambos os modelos, a atividade funciona como um novo motivo para o público conhecer a casa. 

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