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El Niño aquece debate em reunião de meio ambiente na Fieg

A discussão sobre o El Niño aqueceu a reunião do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMAS) da Fieg na última semana (16/10). Na Casa da Indústria, o encontro recebeu conselheiros, empresários e profissionais do setor para discutir os impactos estimados e possíveis efeitos do fenômeno climático.

“O El Niño já é uma realidade em Goiás e é um dos deveres do CMAS promover ambientes para o setor produtivo se informar sobre os efeitos atuais e riscos que podem atingir a indústria goiana, além de fornecer ferramentas para que as empresas conheça
m as medidas para se preparar aos efeitos do fenômeno”
, salientou o vice-presidente da Fieg e presidente do CMAS, Flávio Rassi.

ESTADO ATUAL E PROJEÇÕES

“É um El Niño de forte intensidade? Sim, mas para nós em Goiás, o El Niño coincide com nosso período de estiagem e muitas ações acabam ficando camufladas nesse período. Para nós, temos uma tendência maior para esticar o período de estiagem e intensificar as chuvas irregulares.”, afirmou o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim.

O profissional abriu a pauta da reunião com uma análise climática sobre o efeito climático entre 2026 e 2027. Segundo ele, a tendência é um El Niño de forte intensidade e ativo, que traga desafios para todo o setor produtivo, com um cenário mais crítico no trimestre de outubro a dezembro.

“O El Nino é um fenômeno natural que de tempos em tempos acontece no pacífico. Temos situações que podemos conviver e saber como transpassar as dificuldades ocasionadas por ele”, ressaltou o gerente, que indicou que o super El Niño se deve ao aquecimento superior a 2º celsius nas águas do oceano pacífico. O dado mais recente é que o aquecimento se encontra em 2,6º celsius.

Amorim elencou alguns fatores que devem ser observados no período, como ondas de calor e estresse térmico, chuvas irregulares, estresse hídrico em mananciais e aquíferos, baixa umidade do ar, vulnerabilidade a incêndios e sobrecarga do sistema elétrico.

COMO A INDÚSTRIA GOIANA PODE SE PREPARAR?

Para alertar empresas dos riscos esperados e passar recomendações sobre o que fazer diante dos efeitos do fenômeno, o CMAS publicou semana passada (15/10) o Guia de Preparação da Indústria Goiana para o El Niño 2026-2027. Segundo o gerente de Desenvolvimento Industrial da Fieg, Gustavo Vergara, o material foi criado “para que a indústria tivesse uma ferramenta a qual recorrer”.

”Ele foi construído como um grande plano de ação, abarcando três temas principais, água, energia e saúde e segurança ocupacional, trazendo o risco climático dentro desse contexto.” afirmou a analista de Meio Ambiente Rosana Ozório, uma das responsáveis pela elaboração do documento técnico. Ela ressaltou ainda: “O guia não vai resolver todos os problemas, mas nos orienta sobre a melhor forma de gerenciar o problema dentro da nossa operação”.

Confira mais sobre o guia e acesse o documento na íntegra clicando aqui. 

ÁREAS CONTAMINADAS

A reunião também abordou o andamento da legislação sobre áreas contaminadas. Rosana explicou o histórico da regulamentação de áreas contaminadas no Brasil, e ressaltou que em Goiás, é usada a Resolução CONAMA nº 420/2009.

No entanto, foi criada a minuta do Decreto do Programa Estadual de Gestão da Qualidade do Solo e da Água Subterrânea, recebida pela Fieg em primeiro de outubro. A analista apontou alguns pontos de observações, que incluem novas obrigações como relatório de solo e água subterrânea; cadastro no novo sistema estadual, o Sigac; averbação de matrícula no imóvel, obrigatória para área contaminada; e a exigência de plano e licença específica para descomissionamento, paralisação, desativação e desocupação.

Rosana também destacou a responsabilidade solidária ampla, onde respondem o causador, o proprietário, o possuidor e quem se beneficia da área, e infração por mera concentração, além de ausências e esclarecimentos da parte da Secretaria de Meio Ambiente (Semad) quanto a prazos, regras, valores de referência e manuais técnicos.

A Fieg recebe as contribuições até o dia 27 de outubro, e deve enviar o documento consolidado para a Semad até o início de novembro.

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